Eu e minha sogra, Georgina, mal tínhamos chegado ao Hotel Solenne, em Rivera, quando resolvemos aproveitar a piscina.
A paz acabou rápido. Uma mulher dos pés à cabeça em grifes nos mediu com desprezo e ainda tapou o nariz, como se nossa presença a ofendesse.
— Isso aqui é um hotel de luxo. Como gente como vocês conseguiu entrar? Se infiltraram só pra usar a piscina? Que nojo. Depois dessa, vou até precisar fazer exames.
Não deixei passar.
— Somos hóspedes. Se dividir a piscina te incomoda tanto, constrói uma só pra você.
Ela ficou possessa.
— Você sabe com quem está falando? Meu marido é o dono deste hotel. Nós sempre ficamos na melhor suíte. Agora saiam daqui. Dá pra sentir a pobreza de longe. Vocês estão contaminando a água.
Eu e Georgina trocamos um olhar.
O Hotel Solenne era do filho dela.
Do meu marido.
Então quem, exatamente, era aquela mulher que se dizia esposa dele?